A Copa do Mundo deve gerar até o ano de 2014 mais dez mil vagas na área de turismo do Estado, que será uma das subsedes do maior evento futebolístico mundial. É a expectativa das entidades ligadas ao trade turístico local, a exemplo da Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur). “Na média, o Estado emprega 40 mil pessoas no turismo. Até a Copa devemos chegar a 50 mil postos. Então, nosso desafio é manter o pessoal atual e criar mais dez mil vagas. Além disso, passaremos de 200 mil empregos indiretos”, afirma o presidente da Empetur, José Ricardo Diniz.
Assim como a Empetur, outros organismos ligados diretamente, ou não, ao turismo estão se movimentando para capacitar esse contingente de pessoas. Quem tiver interesse na área, portanto, tem de começar a se movimentar também.
Apenas o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac-PE), uma das principais entidades de capacitação profissional do Estado, por exemplo, pretende capacitar 1.000 mil profissionais nas áreas de turismo, até a Copa. Só para o ano que vem, a entidade vai aumentar em até 18% o número de vagas nos cursos ligados a área de lazer, restaurante e idiomas, num investimento de R$ 7,5 milhões, que também vai demandar aumento na mão de obra de ensino do próprio Senac, cujo edital de seleção deverá sair até o ano que vem.
“Temos tido aumento na procura, mas não significativo. No entanto, o movimento forçou a inclusão de turmas complementares, duas turmas a mais por horário, que somam 240 vagas extras nos cursos de língua inglesa, onde está a maior procura”, salienta Ana Morais, coordenadora de Formação Profissional do Senac-PE.
Segundo ela, o aumento do interesse tem mais a ver, neste momento, com o crescimento de Suape e com a exigência do mercado pela segunda língua. “Mas a tendência é de aumento por conta da Copa. Temos planos para essa demanda, em nível nacional e estadual, e dentro dela podemos destacar os cursos de aperfeiçoamento de operação, capacitando em serviços de cozinha e hotel e de terceiros, como recepcionista, transfer, taxista e qualidade de atendimento ao turista.
Vamos expandir a formação no turismo e hospitalidade para toda a cadeia de hotéis e gastronomia”, comentou. Cursos como de cozinheiro, garçom e guia de turismo, todos de nível técnico, terão reforço nos próximos anos.
Muita gente já está de olho nesse mercado que considera promissor. Uma dessas pessoas é a professora de educação física, Renata Rêgo, que pretende incrementar sua carreira com o curso de guia de turismo. “É uma formação que abre muitos caminhos e o Recife tem carência neste sentido. Já trabalho com turismo educacional, com os adolescentes da escola onde trabalho e minha intenção é unir o útil ao agradável. Com relação à Copa, é um evento que vai trazer muita gente na época e depois dela também e ainda tem a Olimpíada, num espaço de dois anos depois”, projeta a profissional.
CONSTRUÇÃO CIVIL - É justamente esse poder de tornar o destino permanente para o turista internacional que enche os olhos dos profissionais do meio e daqueles que estão fora dele. Outro setor que será muito beneficiado é o da construção civil, que espera a criação de seis mil novos empregos na área, com melhor qualificação, por conta, justamente, do aumento da quantidade de obras.
“Para o turismo a Copa terá um efeito permanente, pois atrai o novo turista. Recife tem uma alta taxa de retorno do turista, que tem uma surpresa positiva com relação ao nosso destino. Ele se encanta com bons hotéis, com uma cidade evoluída, polo médico. É uma surpresa positiva, mas o problema é convencê-lo a vir a primeira vez e a Copa ajuda nisso”, comentou o diretor de Relações Trabalhistas do Sindicato da Construção Civil (Sinduscon-PE), Avelar Loureiro.
Segundo ele, pelo nível e quantidade de obras que serão necessárias até o evento internacional, a qualificação do empregado do canteiro de obras é indispensável.
“Hoje o nosso setor experimenta um processo de industrialização, acabou o trabalho artesanal. Basicamente as empresas e serviços como Senai preparam o funcionário. Antes, o bom funcionário era aquele que levava peso. Hoje é aquele que faz contas, tem capacidade de abstração, de se relacionar. Não precisaremos mais de carpinteiros, eletricistas, mas sim daquele que sabe montar um pré-moldado. Onde antes trabalhavam quatro, agora é um. Até porque, pelo volume de obras, se tivéssemos de contratar o trabalhador artesanal não teríamos mão de obra disponível”, salienta o diretor, lembrando que mesmo assim haverá incremento no número de vagas do setor.
Isso porque além de abrir novos espaços para residências, como a região Oeste em direção a São Lourenço, haverá muitas obras de infraestrutura.
“A copa trará um novo vetor. Haverá a cidade da Copa, a duplicação da BR-408, que vai facilitar o acesso, aliado ao arco metropolitano, que vai ligar Igarassu ao Cabo. Isso tudo facilita o trânsito e, com isso, abre-se novas áreas de ocupação de moradia, que hoje é o grande problema do Recife, que não tem mais locais para expansão urbana”, raciocina.
Além da nova dinâmica interna da cidade, o turismo também vai movimentar a construção de novos hotéis. “Temos de construir pelo menos 20 hotéis a mais. E na fase de construção eles vão demandar pelo menos seis mil empregos diretos, fora os indiretos. Hoje temos nove empreendimentos anunciados, mas acredito que este é apenas o início”, comentou José Antônio de Lucas Simon, vice-presidente em Pernambuco da Associação para o Desenvolvimento Imobiliário e Turístico do Nordeste Brasileiro (Adit).