Hospitalidade e Acessibilidade: Como ser hospitaleiro sem ser acessível?

25 de Agosto de 2009, 22:17 | — Adriana

Hospitalidade e Acessibilidade: Como ser hospitaleiro sem ser acessível?

Ana Maria da Silva*

Fabiana Costa*

Jaqueline Lima*

O Turismo atualmente é um tema que está presente em grandes discussões e cada vez mais os olhos do mundo estão voltados para esse fenômeno. O número de viagens aumentou consideravelmente nas últimas décadas isso fez com que o turismo alcançasse grande representatividade na economia mundial. Mesmo com a crise econômica mundial, Pernambuco tem comemorado bons resultados, assim afirma o presidente da Empetur Dr. José Ricardo, com base em pesquisas recentes.

Por ser uma atividade social, espera-se que possa ser praticada por qualquer indivíduo, ou seja, a prática do turismo deve ser acessível a toda sociedade incluindo as pessoas com necessidades específicas. Em se tratando de pessoas com deficiência, público este que representa 10% da população mundial segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Tratar sobre atividades turísticas para todos (pessoas com ou sem deficiência) é necessário entender e praticar o conceito de acessibilidade outro tema muito discutido, estudado, mas pouco praticado atualmente. Este tema, por sua vez, sempre foi e permanece com a bandeira de luta do segmento de pessoas com deficiência em busca da conquista pela equidade social.

Alguns ambientes turísticos são inacessíveis a uma extensa parcela da sociedade. Tomando como base dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, o Brasil possui hoje 24,5 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência e diariamente, mais de 500 pessoas adquirem algum tipo de deficiência. Embora essas pessoas possam contar com uma legislação específica que estabelece o atendimento prioritário (LEI FEDERAL Nº 10.048 de 8 de Novembro de 2000) e que garante as normas para acessibilidade nos ambientes públicos e privados (LEI FEDERAL Nº 10.098 de Dezembro de 2000), ainda é possível encontrar muitos locais onde falta o atendimento específico e a adaptação adequada.

Recife tem um grande potencial para o turismo em suas diversas modalidades. Oferece aos turistas um rico patrimônio arquitetônico e cultural, seu conhecido litoral encanta muitos visitantes e o seu carnaval, um dos mais importantes de todo o Brasil, todos os anos atrai milhões de pessoas de todas as partes do mundo. Porém, problemas de mobilidade, que variam do caso de pessoas mais velhas com dificuldades para subir escadas e pessoas que utilizam cadeira de rodas, dificuldade de visão, de pequenas deficiências a completa ausência de visão, dificuldades auditivas, de pequenas deficiências a completa perda de audição são características não muito raras em viajantes.

Então alguns questionamentos fazem-se necessários, “A cidade está preparada para receber esses viajantes?” Considerando que um dos conceitos de hospitalidade está ligado a provisão de conforto psicológico e fisiológico dentro dos níveis definidos de serviços. “Como ser hospitaleiro sem ser acessível?” “Ou como garantir o conforto dos viajantes com necessidades específicas sem garantir sua liberdade de movimento?”.

 

As pessoas com deficiência representam um público em potencial para o turismo, pois, em inúmeras ocasiões, necessitam de acompanhantes em suas viagens, isso faz com haja uma multiplicação significativa no número de viajantes. Para atender essa demanda turística, é necessário atenção a dois pontos principais: planejamento arquitetônico, urbanístico específico e contratação e/ou capacitação de funcionários para a prestação de serviço adequado.

Segundo Mosana Cavalcanti, 44 anos, turismóloga, usuária de cadeira de rodas “É difícil encontrar na hotelaria alguém que interprete LIBRAS que tenha pelo menos um cardápio em BRAILLE, apartamentos onde uma cadeira de rodas possa circular e os banheiros são sempre um problema, nunca estão adequados”. Através deste ponto de vista é possível perceber que o setor de hospitalidade ainda tem muito a fazer até que esteja apto a atender todas as necessidades de um turista com deficiência. Não há como praticar a atividade turística de maneira em que esta não se relacione com a hospitalidade. A hospitalidade não pode ser exercida em sua totalidade sem que haja o atendimento de seus princípios, receber, hospedar, alimentar e entreter. Deve atender aos princípios da acessibilidade universal.

Desta forma, entende-se que: a infra-estrutura básica, que deve ser garantida pelo poder público, também não atende as normas de acessibilidade descritas em lei. Sendo necessário um planejamento específico e adequações assertivas afim de garantir possibilidades igualitárias a todos os indivíduos da sociedade.

 

* Turismólogas formadas pela Faculdade Maurício de Nassau

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1 Comentário »

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